Às vezes, a pessoa que chega ao consultório não é a que bebe, não é a que joga, não é a que some por dias. É o cônjuge. O filho. A mãe. Aquele que ficou.
E esse “ter ficado” tem um custo que raramente é reconhecido.
Insônia. Ansiedade crônica. Dificuldade de sentir prazer em qualquer coisa que não seja resolver o problema do outro. A sensação de que, de alguma forma, você é responsável por algo que está completamente fora do seu controle.
Esse é um dos paradoxos mais cruéis da codependência: o problema é externo, mas o sofrimento é interno — e profundo.
Buscar análise quando “o problema é do outro” não é egoísmo. É, talvez, o gesto mais corajoso que você pode fazer. Por você. E, sim, também por quem você ama.
Porque uma pessoa que se encontra tem muito mais a oferecer do que uma que se perdeu tentando salvar.