Uma das frases que mais ouço no consultório é esta: “Mas eu não posso simplesmente largar.”
E eu entendo. Largar parece abandono. Parece crueldade. Parece ir contra tudo o que você foi ensinada a ser.
Mas há uma diferença importante entre abandonar alguém e deixar de carregá-lo.
Quando carregamos alguém que pode andar, estamos, muitas vezes, impedindo que ele aprenda a fazê-lo. Estamos assumindo consequências que não são nossas. Estamos confundindo presença com sacrifício.
Deixar cair não é desaparecer. É parar de aparecer no lugar de outra pessoa.
É das coisas mais difíceis que a psicanálise pode pedir a alguém. E também das mais transformadoras — tanto para quem larga o peso quanto, às vezes, para quem finalmente precisa enfrentá-lo.