Você não é culpada/o. Mas talvez esteja ajudando o vício a continuar.

Existe uma lógica silenciosa dentro de quem ama uma pessoa com vício: se eu cuidar o suficiente, se eu estiver presente o suficiente, se eu não abandonar — ela vai melhorar.

É uma lógica bonita. E é uma lógica que, muitas vezes, adoece quem a segue.

Não porque você fez algo errado. Mas porque o vício tem uma gramática própria — e um dos seus mecanismos mais eficientes é transformar o amor das pessoas ao redor em combustível para continuar.

Isso tem um nome: codependência. E não é fraqueza. É, quase sempre, a consequência de ter aprendido, muito cedo, que cuidar do outro era o seu papel no mundo.

A psicanálise não vai te pedir para parar de amar. Vai te ajudar a entender onde termina o cuidado e onde começa o apagamento de si mesma.

Você merece um lugar em que sua dor também importe.

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